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A repressão contra os influenciadores no Brasil pode fortalecer o mercado paralelo, alerta executivo da BetMGM

| By Kyle Goldsmith
Em maio, o Senado brasileiro aprovou uma série de novas restrições à publicidade de apostas, entre elas a proibição de anúncios com influenciadores.
Influenciadores publicitários Brasil

Eduardo Ludmer, head jurídico da BetMGM, alertou que o excesso de restrições impostas aos operadores de jogos à publicidade feita por influenciadores pode empurrar os consumidores para o mercado paralelo.

A polêmica com relação à publicidade feita por influenciadores para atividades de jogos de azar atormentou o lançamento do setor de apostas licenciadas no Brasil esse ano, tornando-se um dos principais focos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar os impactos das apostas na população.

Em junho, o Delegado de Polícia da Polícia do Estado de Alagoas, Lucimério Barros Campos, afirmou que a publicidade de influenciadores era enganosa e uma fraude aos apostadores. Além disso, a relatora da CPI, Soraya Thronicke, pediu o indiciamento de influenciadores expressivos como Virgínia Fonseca e Deolane Bezerra no seu relatório final.

Apesar disso tudo, a CPI chegou a uma conclusão desfavorável, tornando-se a primeira CPI em uma década a ter seu relatório rejeitado. Virgínia e Deolane escaparam, por pouco, das acusações de fraude e jogos de azar ilegais.

Entre as recomendações rejeitadas constava também a proibição do polêmico caça-níquel com tema asiático Fortune Tiger, que tem sido associado a esquemas nocivos de marketing de influência.

Em relação ao escândalo e aos apelos mais amplos por medidas de marketing mais rigorosas para jogos de azar, o Senado decidiu restringir ainda mais a publicidade, com a proibição do uso de influenciadores.

Porém, embora a pressão sobre a publicidade feita por influenciadores tenha sido substancial, Eduardo, da BetMGM, está preocupado que restrições adicionais ao uso de influenciadores por operadores licenciados acabem empurrando os apostadores para o mercado paralelo.

“A imposição de restrições excessivas aos influenciadores que trabalham com operadores legais pode, inadvertidamente, fortalecer justamente o mercado que pretendemos suprimir: o setor ilegal, que opera sem responsabilidade, desconsidera o bem-estar dos apostadores e prejudica a integridade e a reputação do setor inteiro”, afirma Eduardo.

Os operadores devem ser responsáveis ao fazer publicidade com influenciadores

No entanto, Eduardo enfatiza a importância de os operadores assumirem a responsabilidade ao lançar mão de influenciadores. Ele acredita que essas parcerias podem servir como uma ferramenta útil para o mercado licenciado se distinguir dos operadores ilegais.

Eduardo aponta para um estudo recente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável que descobriu que 78% dos brasileiros têm dificuldades em diferenciar sites legais de ilegais.

“O uso de influenciadores no setor de apostas requer um alto nível de responsabilidade e atenção por parte dos operadores, especialmente quando consideramos o alcance e os impactos que uma única publicação ou campanha pode ter em diversos públicos”, continua Eduardo.

“Essas pessoas desempenham um papel fundamental na divulgação de uma mensagem importante: apostar não é um investimento financeiro, mas uma forma de entretenimento que deve ser desfrutada com responsabilidade e consciência.

Acreditamos que, com diretrizes claras e supervisão eficaz, este canal pode servir como uma ferramenta poderosa para demonstrar o compromisso do setor com a transparência e o jogo responsável.”

O setor de apostas licenciadas tem sofrido uma enorme pressão ultimamente. Além das novas restrições à publicidade, o setor enfrenta um aumento do imposto sobre jogos de azar para 18% do GGR, a receita bruta de jogos.

Mercado ilegal: a principal preocupação dos operadores no Brasil

O aviso do Eduardo é mais um lembrete da batalha contínua que os operadores licenciados travam contra a concorrência desleal do mercado paralelo.

Atualmente, o diretor-geral da H2 Gambling Capital, Ed Birkin, estima que cerca de 30% do mercado de apostas no Brasil seja ilegal.

Eduardo enfatiza que, para que o mercado regulamentado do Brasil tenha sucesso e alcance seu enorme potencial, a canalização para ofertas legais deve ser um objetivo primordial.

“Para que o ambiente regulatório seja saudável e sustentável, é essencial que a maioria dos apostadores esteja no mercado legal, o que só acontece quando há equilíbrio entre tributação, atratividade da oferta e mecanismos eficazes de combate à ilegalidade”, acrescenta Eduardo.

“O importante é que o modelo regulatório seja estruturado de forma a incentivar continuamente os consumidores a migrarem para o ambiente regulado, garantindo a concorrência leal, a prevenção da lavagem de dinheiro e a proteção dos apostadores.”

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