Playtech está otimista quanto à oportunidade de liderança no mercado brasileiro, apesar das dificuldades com KYC
A Playtech espera assumir uma posição de liderança no mercado B2B brasileiro, estimando que já assume a posição de líder de mercado de serviços de integração no país.
Em sua fala durante a reunião com fornecedores sobre os resultados do primeiro semestre, que ocorreu na quinta-feira, o CEO da Playtech, Mor Weizer, declarou que a participação de carteira da empresa no mercado da LatAm oscilava entre 5% e 10% considerando os operadores parceiros do Brasil, entre as quais a Betano a Bet365.
O faturamento declarado da Playtech no mercado da LatAm apresentou queda de 32% no primeiro semestre, embora isso se devesse à revisão contratual com o operador mexicano Caliente Interactive. A introdução do VAT na Colômbia também impactou os resultados, o que foi em parte compensado pela abertura do licenciamento do setor de apostas esportivas online e iGaming no período.
Foco na integração durante os primeiros seis meses de operação no Brasil
No relatório, a Playtech destacou que ampliaria os investimentos no mercado no segundo semestre. Mor citou que, segundo analistas, a projeção de crescimento de mercado é de 15%, chegando a um GGR, que é a receita bruta de jogos, de US$ 17 bilhões em 2030.
Ao responder questionamentos sobre o Brasil, Mor disse que os operadores parceiros da Playtech foram impactados pelos processos altamente rigorosos de integração e KYC exigidos pelo regulador de jogos, a SPA.
“O Brasil introduziu um dos requisitos de integração mais rigorosos do mundo, levando a taxas de rejeição de KYC incomumente elevadas e, por conta disso, volumes menores que o esperado em todo o setor na primeira metade do ano,” disse Mor.
“Alguns operadores viram um impacto de 20%. Outros viram um impacto de 70% em seus negócios.
Por conta da solidez das nossas parcerias com os principais operadores brasileiros, houve um impacto sobre nós como fornecedor B2B. Mas, deixando claro, vemos isso como uma intempérie temporária.”
Ele também destacou o impacto de uma nova medida provisória que aumentou a alíquota do imposto sobre jogos para 18% do GGR em junho.
“Com toda a sinceridade, digo que ainda há um impacto no imposto, já que passou a ser deduzido. Da perspectiva de royalties, ainda não chegamos aonde precisamos, mas estamos crescento,” declarou Mor.
Apesar dessas questões, o CEO disse que, no mês de agosto, a GGR relativa às operações no Brasil se encontrava no mesmo nível anterior à implementação das regulamentações.
Grande negócio vem aí para a Playtech no Brasil
Mor declarou que a provedora fechou negócio com um dos maiores operadores do país, mas não compartilhou nenhum detalhe.
“Ainda não posso dar nomes, mas estamos numa etapa avançada de discussões com o que acreditamos que será uma das maiores operações do Brasil,” afirmou.
“Eles têm acesso ao mercado e são muito bem estabelecidos no mercado, não ainda em esportes, apostas e jogos virtuais, mas com certeza é uma oportunidade importante para a Playtech.”
Para além disso, a empresa planeja abrir um estúdio em São Paulo para dar suporte ao seu crescimento no Brasil.
Contrato estruturado para a Galera.bet
E mais: a Playtech tem um contrato estruturado com o operador brasileiro Galera.bet. Como parte do negócio, ela tem uma opção de custo nominal de 40% sobre as ações da Galera.bet. Ela foi um dos primeiros operadores a receber uma licença local no Brasil, logo no lançamento do mercado em janeiro.
Mor acredita que a Playtech tem o potencial de exceder a taxa de crescimento do mercado no Brasil.
“Acredito mesmo que preparamos o terreno para um crescimento acelerado que tem a possibilidade de superar os 15%. Se o mercado crescer a 15%, a Playtech conseguirá crescer verticalmente com clientes atuais e horizontalmente com mais clientes,” insistiu.