ANJL desiste de ação judicial contra a associação de supermercados do Brasil com o início das negociações
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), uma entidade de comércio de jogos de azar do Brasil, desistiu do processo contra a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) por conta de um vídeo publicado nas redes sociais criticando o setor de apostas.
Em junho, a ANJL acusou a ABRAS de enganar o público em um vídeo publicado nas redes sociais da associação de supermercados, intitulado “História das Apostas”.
No vídeo, a ABRAS afirma que as apostas reguladas estão ligadas ao agravamento da insegurança alimentar no Brasil, afirmando que “cada real gasto em apostas leva a um prato a menos na mesa”.
A ANJL desistiu de sua ação judicial contra a associação de supermercados depois de instruir a entidade sobre os regulamentos rigorosos das apostas legais. O órgão disse que “a crítica ia além de agentes específicos, afetando o setor inteiro”.
No entanto, a ação judicial da ANJL no Brasil foi abandonada, após uma reunião com entidades de varejo na última quinta-feira (10 de julho) em São Paulo, em que as partes discutiram como promover um entendimento do setor de apostas regulamentadas no Brasil.
“Demonstramos à ABRAS e ao Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), que também participaram da reunião, que o foco de todos deve ser o jogo ilegal”, disse o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge.
“Os operadores que não estão autorizados a operar no Brasil não se preocupam com a integridade das apostas ou a proteção dos apostadores.”
Diálogo entre ANJL e setor varejista continuará
A reunião marcou a abertura de um diálogo entre os setores de apostas e varejo, com a presença do diretor executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), Fernando Vieira. O IBJR atua como uma segunda entidade comercial que abrange o setor dos jogos de azar on-line.
De acordo com a ANJL, a meta para discussões futuras é avançar conjuntamente em questões de interesse compartilhado, especialmente em relação à saúde financeira dos consumidores brasileiros, utilizando os aprendizados da reunião da semana passada.
“Chegamos a esse entendimento e vamos aprofundar essas discussões em reuniões futuras”, acrescentou Lemos Jorge.
No entanto, os dois lados não conseguiram chegar a um acordo sobre o polêmico tema da publicidade de apostas no Brasil.
Em maio, o Senado aprovou uma série de novas restrições de anúncios, entre as quais proibições de marketing durante eventos esportivos ao vivo e o uso de celebridades, para além de marcos regulatórios.
O setor varejista tem interesse na restrição da publicidade de apostas, enquanto o setor de jogos de azar adverte que mais restrições apenas impulsionarão o mercado negro.
Na reunião, o presidente do IBJR, Fernando Vieira, destacou que cerca de 80% dos apostadores não conseguem distinguir um operador licenciado de um ilegal, e que é a publicidade que trará uma solução para este problema.
ANJL e IBJR unem forças
Na semana passada, a ANJL formalizou oficialmente o seu acordo de cooperação com o IBJR em meio à ameaça de novas restrições de publicidade e ao aumento na alíquota do imposto.
Essa medida, realizada em coordenação com a Secretaria de Prêmios e Apostas, une as duas maiores associações comerciais de jogos de azar do país.
As duas organizações estão alinhadas em seu objetivo principal de proteger a sustentabilidade do mercado de apostas regulamentado do Brasil.
Fernando declarou: “A consolidação dessa parceria representa uma resposta concreta aos desafios que ameaçam o ambiente regulado no Brasil.”