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ANJL condena processo da Defensoria Pública do Rio de Janeiro que busca indenização de US$ 54 milhões contra operadores por propaganda enganosa

| By Kyle Goldsmith
As propagandas das bets continuam sendo um elemento particularmente polêmico do mercado regulamentado no Brasil, com vários operadores de renome enfrentando ações judiciais no Rio de Janeiro.
ANJL processo propaganda

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) criticou duramente a Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ), que entrou com uma ação contra 43 operadores de apostas online por anúncios que, segundo ela, induzem ao engano.

Em 20 de julho, a DPRJ anunciou que havia entrado com uma Ação Civil Pública (ACP) buscando indenização de R$ 300 milhões (US$ 53,9 milhões) dos operadores, alegando que suas propagandas omitiam informações essenciais sobre os riscos associados às apostas.

A Central de Proteção do Consumidor, um departamento especializado da DPRJ dedicado a representar os consumidores, pediu que medidas urgentes fossem implementadas para proteger os apostadores e garantir maior transparência por parte das empresas de apostas.

Porém, a ANJL rebateu, afirmando que as alegações feitas na ACP são infundadas. A associação adverte que a medida pode, na verdade, prejudicar os apostadores, dificultando a distinção entre operadores licenciados e ilegais.

A ANJL destacou a criação de um grupo de trabalho, criado pelo Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar) em 2023, que tinha como objetivo esclarecer os padrões éticos para a publicidade de apostas no Brasil.

“Todas as medidas necessárias para a publicidade responsável e transparente do jogo já são adotadas por casas de apostas reguladas”, disse o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge.

“Portanto, a alegação da Defensoria Pública no processo não faz sentido, pois os seus argumentos só são válidos para o mercado ilegal. Desse modo, a ANJL agirá para fornecer os esclarecimentos necessários no processo.”

A ação judicial da DPRJ

Entre os réus no processo figuram alguns dos maiores operadores licenciados do Brasil, como a Betano, a Bet365 e Esportes da Sorte.

O valor de R$ 300 milhões representa 1% das transações mensais estimadas em apostas no Brasil, que somam R$ 30 bilhões, de acordo com dados do Banco Central. A importância será destinada à prevenção e ao tratamento do vício em apostas.

Uma das solicitações da DPRJ é a proibição do uso exclusivo da frase “Jogue com responsabilidade” em propagandas de apostas, por considerar que ela é insuficiente e muito vaga.

Ao invés disso, a DPRJ pede que as empresas sejam mais claras em suas propagandas sobre os possíveis danos associados ao jogo.

O Defensor Público-Geral Paulo Vinícus Cozzolino Abrahão disse: “Muitas pessoas veem o jogo como uma espécie de investimento, com a ideia de que haverá um retorno, o que é uma noção completamente equivocada, resultado da falta de educação financeira e de propaganda enganosa.

A aposta é um jogo de azar, não de sorte. Precisamos conscientizar sobre isso. É o mesmo movimento que ocorreu com os cigarros nos anos 90, e hoje há uma consciência coletiva de que fumar não é benéfico para a saúde. A questão precisa de ser abordada com a maior rapidez e seriedade.”

A ANJL discorda das alegações de que os operadores não estão anunciando de forma responsável, rejeitando o argumento da ação judicial de que o aviso de “jogo responsável” não passa de uma “expressão decorativa” e contestando a afirmação de que as empresas estão tentando apresentar as apostas como uma fonte confiável de renda.

Publicidade de apostas: um tema em voga no Brasil

A publicidade de apostas continua a ser uma questão extremamente polêmica no Brasil.

Tal é a preocupação que, em maio, o Senado aprovou uma série de novas restrições à propaganda de apostas no Brasil.

Entre elas, está a proibição de anúncios de apostas durante transmissões ao vivo de eventos esportivos, bem como a proibição do uso de celebridades, como atletas, artistas e influenciadores.

Além disso, anúncios em televisão aberta e por assinatura, redes sociais, streaming e internet só seriam permitidos das 19h30 à meia-noite.

Entretanto, os anúncios de rádio só seriam permitidos pela manhã entre as 9h e as 11h e à noite entre as 17h e as 19h30. Os anúncios impressos seriam totalmente proibidos.

Agora, caberá à Câmara dos Deputados analisar o projeto de lei, embora o setor alerte que novas restrições à publicidade só serviriam para fortalecer o mercado paralelo.

Udo Seckelmann, head do departamento de Apostas e Criptoativos da Bichara e Motta Advogados, alertou que a pressão por novas restrições à publicidade “carece de suporte baseado em evidências”.

“As motivações, embora bem-intencionadas, devem ser ponderadas em relação aos resultados no mundo real – e as evidências sugerem que uma regulamentação informada e responsável é mais eficaz do que a proibição”, disse Udo à iGB

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