Hanzbet é forçada a encerrar as operações após disputa com o titular da licença do Brasil
O operador brasileiro Hanzbet encerrará suas operações até o final de julho, após um conflito com a detentora da licença no Brasil, a EA Entretenimento e Esportes Ltda (EA). A marca comunicou que o site permanecerá ativo temporariamente apenas para que os jogadores possam realizar o saque de seus saldos.
A situação destaca os riscos de estruturas operacionais baseadas em licenciamento indireto, prática comum entre operadores de apostas no país.
Declaração pública do fundador da Hanzbet
Em publicação feita nesta segunda-feira em sua página no LinkedIn, o fundador e CMO da Hanzbet, Eduardo Peres, descreveu o caso como uma “verdadeira ditadura operacional”. Segundo ele, tanto ele quanto sua equipe foram removidos de todos os canais internos de comunicação e de tomada de decisões da empresa.
Eduardo afirma ainda que a declaração anunciando o encerramento da Hanzbet foi emitida sem seu consentimento, o que provocou a suspensão de pagamentos a afiliados, fornecedores e prestadores de serviço.
Ele também acusa a EA de redirecionar usuários da Hanzbet para a BateuBet, outra marca da mesma controladora, por meio do canal de suporte ao cliente.
“Isso é revoltante. É uma falta de respeito pela nossa história, pelos parceiros e por todos os profissionais que ajudaram a construir a Hanzbet com tanto esforço”, declarou.
Em seu comunicado, Eduardo alertou outros operadores sobre os riscos de operar sob estruturas semelhantes:
“Se você tem uma operação alocada debaixo de outra estrutura, fique atento. Analise com quem está andando. Nem tudo que parece parceria é, de fato, uma parceria. Estamos tomando todas as medidas legais e cabíveis. E acima de tudo: vamos lutar até o fim pelo que é nosso.”
A iGB entrou em contato com a EA Entretenimento e Esportes Ltda. para comentar o assunto, mas não obteve resposta até o momento da publicação.
Usuários da Hanzbet relatam dificuldades para saque
Eduardo afirmou que, em seus três anos de experiência no setor de apostas com a Hanzbet, nunca havia enfrentado uma situação semelhante. Mesmo com contratos formalmente assinados com a EA, a dependência de um processo judicial “extremamente moroso” compromete a capacidade de reação da empresa frente aos danos já causados à reputação da marca.
A acusação mais grave envolve a suposta retirada de liquidez da empresa pela controladora, o que teria inviabilizado a execução dos saques solicitados pelos usuários.
“Induziram os clientes a sacar, mas os próprios responsáveis impediram que isso fosse feito ao esvaziar os fundos”, afirmou.
Estruturas de licenciamento no Brasil exigem atenção
A situação da Hanzbet acende um alerta para operadores que dependem de empresas controladoras licenciadas para atuar no país. O modelo atual exige que, para obter uma outorga, pelo menos 20% do capital do operador esteja nas mãos de uma empresa sediada no Brasil.
Essas exigências têm levado diversas marcas a se associarem a titulares locais de licença, o que, sem proteção contratual adequada, pode resultar em perda de controle operacional e financeiro.
Possível retorno da marca
Em uma postagem no Instagram, a Hanzbet sinalizou a possibilidade de retomar as atividades no futuro, indicando um novo posicionamento de mercado:
“A Hanzbet está prestes a voltar em uma nova fase. Mais moderna, mais completa e melhor do que antes.”No entanto, a ruptura com o detentor da licença anterior torna incerta a estratégia para o retorno, considerando os critérios regulatórios vigentes no país.