Fracasso do patrocínio da Pixbet para o Flamengo é um aviso para outros operadores licenciados no Brasil
Com o término precoce do patrocínio do Flamengo e rumores de problemas financeiros, a Pixbet apostou e perdeu. A empresa mergulhou em dívidas, numa tentativa de aumentar a participação no mercado regulamentado brasileiro.
No início do mês, o Flamengo, que goza de amplo reconhecimento como o maior time de futebol do Brasil, anunciou que estava dando término ao patrocínio master da Pixbet, em meio a boatos de atrasos nos pagamentos.
As supostas circunstâncias relacionadas ao témino do patrocínio, divulgado como o maior da história do futebol brasileiro, no valor de R$ 470 milhões (US$ 87,1 milhões) em quatro anos, alimentou ensinuações sobre a incerteza financeira da Pixbet.
Também foi a continuidade de um 2025 um tanto tumultado para a Pixbet. A empresa viu sua licença para operar no mercado virtual brasileiro recém-regulamentado ser suspensa e restituída em diversas ocasiões por conta de falhas técnicas.
Será que a Pixbet se endividou?
Desde então, a líder de mercado Betano assumiu como patrocinadora master do Flamengo, em uma negociação superior à da Pixbet. Segundo informações, o novo contrato é da ordem de R$ 250 milhões por ano.
Na opinião do diretor executivo de marketing da H2 Gambling Capital, Ed Birkin, a Pixbet tem 2% de participação de mercado no Brasil, com uma NGR (receita líquida de jogos) de R$ 316 milhões nos seis meses até 30 de junho de 2025.
Como o patrocínio da Pixbet ao Flamengo está no patamar de R$ 62,5 milhões em seis meses, Ed estima que a empresa gastava 20% de sua NGR apenas no contrato com o Flamengo.
Comparando com a Betano, a empresa “claramente o líder de mercado” segundo Ed, gerou uma NGR de R$ 3,5 bilhões no Brasil no primeiro semestre. Embora se acredite que o patrocínio seja o dobro da Pixbet, no patamar de R$ 125 milhões a cada seis meses, isso equivale a apenas 3,5% de sua NGR.
Como Ed estima que a NGR antes da dedução de impostos e pós-bônus seja de R$ 19,5 milhões por dia no Brasil, eles levariam apenas 13 dias para cobrir um ano inteiro de patrocínio com o Flamengo. A Pixbet levaria 72 dias de operações no Brasil, ainda que o patrocínio do Flamengo valha a metade do montante.
Na opinião dele, essa gigantesca disparidade comprova o endividamento financeiro por parte da Pixbet.
“Se uma parte do seu orçamento de marketing representa 20% da sua receita líquida de gaming, de repente não se torna um negócio viável ficar gastando isso tudo em marketing, a menos que você consiga operar no prejuízo durante um certo tempo”, explica Ed.
Marcas internacionais dominando no Brasil
As posições atuais do pódio do segundo semestre são preenchidas por participantes internacionais novatos no mercado brasileiro, com a Betano seguida pela Bet365 e Superbet em segundo e terceiro lugares, respectivamente.
Antes do lançamento do mercado regulamentado, havia quem cogitasse que os operadores locais dominariam devido ao seu amplo conhecimento dos mercados e cultura brasileiros.
Contudo, Ed crê que isso foi um exagero, conforme demonstrado pelas marcas internacionais da Betano, Bet365, Superbet e Sportingbet ostentando uma participação de mercado atual superior a 50%. Essas marcas se aproveitaram dos talentos locais para traçar o caminho do crescimento, em que pesem os recursos de gigantes internacionais no apoio de seus planos.
“A visão geral que vi ao ir para o Brasil é que você precisa entender que os operadores internacionais não podem só chegar e se dar bem, e que são as marcas locais que vencem”, afirma Ed.
“O fato é que isso só é verdade se os operadores internacionais não tiverem uma presença local”.
Os operadores pequenos estão em crise?
Em junho passado, o fundador da Ficon Leisure e especialista em fusões e aquisições Christian Tirabassi previu que o mercado brasileiro seria concentrado em poucas e grandes marcas. Ele contou à iGB que 10 a 12 marcas dominariam os operadores menores, atrapalhados por barreiras financeiras menores à entrada e permanência no mercado.
Apesar de ter apenas 2% de participação de mercado, a Pixbet é o 11º maior operador do mercado regulamentado de gaming brasileiro, segundo a H2. Das 173 marcas licenciadas que Ed e a H2 monitoram, ao desconsiderar as 19 maiores, as demais 154 detêm uma média de em torno de 0,1% de partipação de mercado.
Com uma série de operadores faturando menos que a Pixbet, Ed sugere que operadores menores podem acabar enfrentando o mesmo problema, dado o horizonte de aumentos de impostos e novas restrições de anúncios.
Ed compara o mercado brasileiro aos dos EUA, em que uma enxurrada de operadores que entraram no mercado amargaram reduções, culminando na saída da Betway, Evoke e Unibet em 2024 devido à prevalência de empresas maiores.
“Se o 11º maior operador pode ter problema, significa que o 10º, 9º e 8º também podem, e que o 99º, 100º, 110º e 120º, também”, acrescenta Ed.
A aposta da Pixbet no Flamengo não compensa
A Pixbet fez uma aposta no patrocínio do Flamengo que não compensou, segundo Ed.
O Flamengo lançou uma nova marca de apostas no ano passado chamada Flabet, que foi gerenciada pela Pixbet e que era exibida nas marcas do clube.
Com a Flabet detendo uma participação média de mercado de apenas 0,15%, Ed concorda que a segmentação específica voltada para os torcedores do Flamengo desconsiderou o restante do mercado-alvo potencial da marca.
Ele ressalta que, embora o futebol brasileiro seja incrivelmente popular em seu país natal, ele não tem a mesma popularidade mundial que a Premier League inglesa e outras competições europeias.
Apesar dos problemas da Pixbet, Birkin acredita que ainda há espaço para operadores menores no mercado brasileiro, desde que mantenham uma abordagem financeira sensata.
“Tenha em mente que a Pixbet é o 11º maior operador, mas há alguém na 20ª posição que talvez tenha menos da metade do tamanho”, conclui Ed. “Mas se eles têm um melhor controle de custos, então é um negócio mais bem administrado.
Você pode administrar uma empresa menor do que a Pixbet, mas precisa ter controle dos custos. Não se pode gastar R$ 125 milhões por ano patrocinando o Flamengo. Você não está ganhando tanto dinheiro”.