Jogador do Flamengo banido por 12 jogos e multado por escândalo de apostas
O jogador do Flamengo Bruno Henrique foi suspenso por 12 jogos e multado em R$ 60.000,00 (US$ 11.112,00), depois de agir de forma antiética por influenciar o resultado de uma partida para beneficiar apostas.
Bruno Henrique foi condenado na quinta-feira pelo primeiro Comitê Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva Brasil (STJD), depois de ser considerado culpado por maioria de provocar intencionalmente um cartão amarelo em um jogo ocorrido em 2023 entre Flamengo e Santos.
O fato se dá após uma investigação da Polícia Federal, que descobriu um “número impressionante de apostas” feitas no Bruno Henrique recebendo o cartão amarelo, com todas as 19 apostas feitas a partir de contas na região de Belo Horizonte, cidade natal de Bruno Henrique.
A Sportradar apresentou um relatório à investigação, que sinalizava o mesmo comportamento suspeito.
Juntamente com Bruno Henrique, outros quatro atletas amadores também foram acusados, incluindo três dos seus colegas, bem como seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, que foi considerado o organizador das apostas.
Os três colegas foram suspensos entre seis e sete jogos, enquanto o irmão de Bruno Henrique foi banido por 12 jogos. Com a sentença proferida por um tribunal inferior, ainda é possível recorrer da decisão perante o tribunal pleno.
Bruno Henrique, que jogou dois jogos pelo Brasil, negou as acusações, dizendo: “Nunca cometi as ofensas de que sou acusado.”
Bruno Henrique não foi culpado de prejudicar deliberadamente o Flamengo
Inicialmente, a Promotoria acusou Bruno Henrique com base em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
O primeiro foi o artigo 243, que proíbe a ação deliberadamente prejudicial à equipe que defende, além do artigo 243-A, que proíbe atuar, de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de partida.
Após a conclusão dos argumentos no STJD, o juiz relator Alcino Guedes anunciou a absolvição de Bruno Henrique no artigo 243, dizendo: “Não vejo na conduta do acusado Bruno Henrique qualquer prova de agir deliberadamente de uma forma que prejudique a sua equipe.”
Mas o magistrado declarou que Bruno Henrique é culpado na forma do artigo 243-A, atribuindo-lhe a penalidade mínima de uma proibição de 12 partidas e uma multa de R$ 60 mil.
O irmão de Bruno Henrique, Wander, foi descrito pelo juiz como o mentor e coordenador das apostas, aplicando a penalidade máxima de uma suspensão de 24 partidas, embora tenha reduzido isso para a metade, já que Wander é um atleta amador.
O juiz também deferiu o pedido feito pelo Ministério Público de enviar uma carta à Confederação Brasileira de Futebol sobre a decisão, que será então encaminhada à FIFA.
A carta tem como objetivo a ampliação dos efeitos das sanções impostas pelo STJD ao registro do atleta na FIFA para que as sanções tenham validade internacional.
Bruno Henrique foi defendido pelo advogado e representante do Flamengo Michel Assef Filho, que reiterou o apoio do clube ao jogador sobre a controvérsia das apostas.
“Se o Flamengo acreditasse que Bruno Henrique tomou qualquer ação para prejudicar o clube, eu não estaria aqui”, disse Michel. “Estamos aqui porque entendemos que não houve violação. Não houve nenhuma ação de Bruno Henrique que pudesse ter afetado o resultado da partida”.